
08/dez/2009
Uma das fraudes
mais antigas, aquela em que outra pessoa vota no lugar de outra,
pode acabar nos próximos anos. Isso porque o Tribunal Superir
Eleitoral (TSE) adquiriu neste ano 25 mil novas urnas que já
oferecem o sistema de identificação biométrica.
De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação
do TSE, Giuseppe Dutra Janino, o sistema de leitura por biometria,
que identifica a pessoa pelas digitais, pode ser utilizado em
alguns estados do Brasil já a partir das eleições
de 2008. A maior dificuldade, segundo ele, será promover
o recadastramento de todos os eleitores.
“Em princípio a votação com a biometria
deve acontecer somente em alguns estados, e teremos as duas formas
de votação. Não existe prazo para quando
estará 100% implantado”.
O engenheiro de segurança eletrônica Amílcar
Brunazo Filho afirma que a biometria poderia erradicar uma fraude
que ele chama de "engravidar urnas". Essa "gravidez"
pode acontecer quando o mesário permite o registro de votos
nas urnas eletrônicas por pessoas que não são
os legítimos eleitores.
O professor do Instituto de Computação da Unicamp
Jorge Stolfi afirma que o sistema ajudará a combater a
fraude em que uma pessoa vota no lugar de outra, mas não
resolverá o problema do sistema eleitoral. “A biometria
não reduzirá as outras modalidades de fraude, que
têm a ver com programação do software”,
alerta.
O TSE informou,
por meio de nota, que é permitido ao eleitor votar apenas
com o título de eleitor, que é um documento sem
foto. Porém, a legislação permite ao mesário,
no caso de dúvida sobre a identidade do eleitor, solicitar
um documento com foto para permitir a votação. Caso
o eleitor não porte outro documento a não ser o
título, pode ser questionado sobre seus dados pessoais
constantes na lista de eleitores.
De acordo com o tribunal, o documento de identificação
com foto não é obrigatório porque milhares
de brasileiros não têm carteira de identidade, somente
certidão de nascimento. A explicação é
que a obrigatoriedade afastaria diversos eleitores do direito
de votar.
O atual título de eleitor, sem foto, é utilizado
desde 1986, quando o TSE promoveu recadastramento depois da campanha
das Diretas Já. O tribunal explica que, com a implantação
da biometria, o documento pode passar também a ter foto.
(Portal de Segurança